domingo, 25 de setembro de 2016

As Olimpíadas Rio 2016 e a mensagem da preservação ambiental

A Tocha Olímpica iluminou o Brasil de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Percorreu rios, lagos, morros, florestas tropicais, caatinga, campos e cerrados. Após mostrar com muita luz, cor e música a diversidade cultural do Brasil, a temática do espetáculo de abertura da RIO’2016 mudou e abordou as mudanças climáticas que o país e o mundo enfrentam. A emissão de gases de efeito estufa, o degelo dos polos, a elevação do nível do mar e o aumento da temperatura entraram em cena para alertar por um mundo mais sustentável. O Brasil deu seu recado na grande festa da Abertura das Olimpíadas RIO’2016. E não podia ser diferente. Mundialmente conhecido pela exuberância natural, por sua biodiversidade e até pelo contraste entre riqueza e bolsões de pobreza, o Brasil mandou bem e abriu os Jogos com “tocha” de ouro. A mensagem deixada para quem estava presente no Maracanã ou diante da tevê no mundo inteiro foi forte e intensa. O show muito bem preparado durante mais de um ano falou do convívio com as diferenças para além das fronteiras, do esgotamento dos recursos naturais, da união entre os povos e da paz, que é um dos principais pilares do espírito olímpico. Mas os contrastes e paradoxos são próprios do Brasil. A cerimônia de abertura mais verde e mais ecológica da História dos Jogos Olímpicos foi justamente numa cidade que não fez o dever de casa quanto ao saneamento básico. Desprezou o legado ambiental mais importante, a despoluição da Baía de Guanabara. Cerca de 4 bilhões de habitantes de 220 países do Planeta Terra receberam uma aula sobre origem da vida, valor das florestas, diversidade biológica e aquecimento global. Atletas de todos os países foram convidados a depositar sementes em pequenos tubos que serão a gênese de uma nova floresta no bairro de Deodoro, na zona oeste do Rio de Janeiro. A semeadura dá um recado aos humanos que colocam fogo na florestas, desmatam matas ciliares, garimpam e poluem rios e fazem do lixo foco de contaminação de mananciais e desperdício de recursos naturais. Todos os atletas que participaram da cerimônia de abertura receberam uma semente ao entrar no campo. Essas sementes, de 207 espécies, serão plantadas no local em que hoje está instalado o Parque Radical, no Complexo Esportivo de Deodoro, onde será criada a Floresta dos Atletas. 12 mil atletas depositaram sementes em totens espelhados que “floresceram” e se transformaram nos arcos olímpicos. Foram levadas ao Maracanã cerca de 15 mil sementes (houve esportista que depositou mais de uma) de 207 espécies, que representam os 206 países e o time de refugiados que participaram da Olimpíada. Boa parte é de árvores frutíferas e, em agosto do ano que vem, as mudas serão plantadas no Parque Radical de Deodoro, para dar origem à chamada Floresta dos Atletas. A ideia da semeadura surgiu de uma conversa entre os diretores da cerimônia de abertura, o cineasta Fernando Meirelles, Daniela Thomas e Andrucha Waddington. Mereirelles lembrou que o Brasil ocupa uma vergonhosa sétima posição entre os países mais poluidores do planeta (neste ranking, as nações da Europa formam um bloco). Quando foram depositadas nos totens, as sementes ficaram protegidas por camadas de argila, o que caracteriza um processo chamado por biólogos de peletização. Assim, elas ficam conservadas, só germinando após receberem água. A coleta levou um ano e meio. Do Maracanã, as sementes foram transportadas em caminhões para uma fazenda da Biovert, empresa de engenharia florestal contratada para cuidar das mudas. Em Silva Jardim, no Norte Fluminense, muitas já começaram a ganhar folhas. Dentro de uma estufa, com terra adubada e irrigação constante, surgem grãos-de-galo e ingás-cipós. Estamos cuidando também de espécies ameaçadas, como o pau-brasil e o palmito-juçara. Entre as sementes de árvores frutíferas, recebemos pitanga, cambucá e mamão-de-jaracatiá. Há, ainda, ipês amarelos e roxos — explica a bióloga Úrsula Taveira, que trabalha no local Ao atingirem 50 centímetros de altura, as mudas serão levadas para o plantio, em Deodoro. Há sementes que demoram meses para germinar, como a do pau-brasil. Um dos objetivos da criação da Floresta dos Atletas é ampliar a biodiversidade. De acordo com o projeto de plantio, árvores que não precisam tanto de sol serão colocadas ao lado de outras que, mais altas, dependem mais dele. Uma vez plantadas em Deodoro, as mudas continuarão sob os cuidados da Biovert por um período que poderá variar de um ano e meio a três anos. Depois, caberá à população proteger as árvores. O prazo previsto para que a Floresta dos Atletas faça jus ao nome é de seis anos. (Fonte: Folha do meio ambiente )