quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Poluição e pobreza, um círculo vicioso

Estudos tentam entender impactos ambientais

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) está financiando U$ 7 milhões em pesquisas para avaliar o efeito cumulativo na saúde de poluentes como mercúrio e chumbo, e fatores sociais como estresse e má nutrição em diversas comunidades de baixa renda.

A EPA estuda tipicamente apenas os efeitos para a saúde de substâncias químicas individuais. Mas um crescente corpo de pesquisas sugere que a exposição cumulativa a poluentes múltiplos, e fatores não químicos, como estresse, pobreza e dietas pobres, podem amplificar os efeitos negativos de uma única substância tóxica. Diversos estudos irão também examinar por que algumas etnias e subgrupos parecem mais suscetíveis a ameaças à saúde por fatores ambientais - como a asma.

Minorias, populações tribais e de baixa renda são desproporcionalmente expostas à poluição e impactadas por ela, como notam há décadas advogados da justiça ambiental. As bolsas de pesquisa fazem parte de um compromisso da agência de 2010, de entender estes impactos, diz Paul Anastas, administrador da EPA para pesquisa e desenvolvimento, segundo o Green Blogs do New York Times.

“Estas pesquisas podem abrir caminho para mais trabalhos interdisciplinares que respondam às preocupações das comunidades e à justiça ambiental", disse ele.

MUDANÇAS NO CLIMA PROVOCAM REAÇÕES ADVERSAS




Mudanças do clima provocam reações diversas

Cada um se adapta como pode

Resultados de um estudo da Universidade Baylor, no Texas, mostram que diferentes comportamentos e estratégias levaram algumas famílias a lidar melhor que outras com eventos relacionados ao clima. A pesquisa foi feita pela antropóloga Sara Alexander, que estudou lares diferentes em cidades costeiras de Belize, na América Central, informa o Physorg. A mudança do clima vem sendo um tópico de crescente interesse na comunidade científica mundial, mas existem poucos dados sobre como pessoas respondem a choques ligados ao clima, e eventos como furacões mais intensos e secas mais prolongadas.
Alexander e sua equipe identificaram lares vulneráveis na região e desenvolveram ferramentas para mensurar a resiliência de cada casa no longo prazo, uma área pouco pesquisada, e avaliaram comportamentos e estratégias que permitiram que algumas famílias se saíssem melhor que outras de desastres do clima. Os resultados mostram que 62% dos lares vulneráveis são mais preocupados com eventos únicos, como furacões, do que com enchentes ou secas prolongadas.
A percepção sobre a mudança do clima e os padrões do tempo têm papel importante para determinar se um lar se prepara convenientemente para um evento extremo. Cerca de 57% das pessoas acreditam que hoje as tempestades são mais intensas que há cinco ou dez anos, e elas são mais preparadas a reagir a previsões de tempo ameaçador.
Os lares vulneráveis diferem dos mais seguros em suas estratégias, quando tratam de eventos ligados ao clima.49% deles recorrem à fé, 43% à família, e 36% procuraram amigos para apoio emocional. Apenas 19% procuraram assistência financeira, e 8% fizeram tentativas de obter crédito para reformas em suas casas. As casas com maior grau de segurança têm maior probabilidade de usar suas economias ou vender seus bens para reformar ou reconstruir, e muitas vezes encontram consolo emocional neste trabalho. Um ingrediente crítico para reduzir a vulnerabilidade e aumentar a resiliência é o empoderamento de grupos marginalizados e o acesso associado a recursos, indica o estudo.




O que causa extinções em massa


Terra pode perder mecanismos reguladores

Em traços de sedimentos e registros fósseis de um dos mais tumultuados períodos da Terra, geólogos encontraram uma ligação narrativa entre extinções em massa e mudanças planetárias biológicas e geológicas.
Depois de dramáticas extinções oceânicas, entre 250 milhões e 200 milhões de anos atrás, o ciclo global de carbono entrou em parafuso. A biogeoquímica da Terra ficou surtada por milhões de anos depois, como se algum mecanismo de regulagem tivesse sido perdido - e foi exatamente isto que aconteceu.
“As pessoas falam em biodiversidade, e de como é bom ter uma variedade de todas as criaturas. Mas a razão de isso importar é que a função do ecossistema é em si mesma dependente da diversidade, face a mudanças ambientais normais", diz a geóloga Jessica Whiteside, da Universidade Brown. “Diminua demais a biodiversidade, e o sistema perderá sua resiliência. E vai se tornar um escravo de mudanças ambientais que, de outra forma, poderiam ser pequenas".
Whiteside é especialista na leitura de registros geológicos de extinções passadas, tirando de rochas e fósseis a história daqueles períodos da história nos quais, por uma razão ou outra, a maioria das forma de vida deixou de existir.
No novo estudo, publicado na semana passada na revista Geology, Whiteside e o biólogo Peter Ward, da Universidade de Washington, focam em duas extinções de massa de consequências marinhas especialmente catastróficas - a extinção do período Permiano-Triássico, de 250 milhões de anos atrás, em que 96% de todas as espécies marinhas foram extintas, e a do Triássico-Jurássico, há 200 milhões de anos, quando foram extintas 20% de todas as famílias marinhas.
Os cientistas dizem que uma nova extinção em massa está em curso, com as taxas de extinção em uma ordem de magnitude maior que a normal, na terra e no mar. Estudos como os de Whiteside sugerem quais poderiam ser as consequências da extinção - não apenas para pessoas, em uma escala de décadas ou séculos, mas para o funcionamento do planeta, milhões de anos no futuro.
“As extinções em massa nos dão uma série de experimentos que demonstram o que pode acontecer quando há uma perda catastrófica de diversidade", disse Whiteside, segundo a Wired.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

2011: o ano internacional das florestas


O ano das florestas


Foto: Rodrigo Baleia/Greenpeace
Virada a página do calendário, entramos no Ano Internacional das Florestas. Assim ficou estabelecido na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU): 2011 é o ano das matas, que chegam a cobrir 31% da área terrestre do planeta. Mais que uma homenagem, o objetivo da ONU é lembrar ao mundo a importância que as florestas têm para a sobrevivência de todo tipo de vida – incluindo nós, humanos.

Segundo dados da organização, é debaixo das copas das árvores que vivem 300 milhões de pessoas e 80% da biodiversidade da Terra. Mas os serviços ambientais das florestas vão muito além de suas fronteiras: calcula-se que pelo menos 1,6 bilhão de pessoas dependa diretamente delas para sobreviver.

Boa parte desse total está do lado de cá do globo. Afinal, está aqui a maior floresta tropical do planeta. Dos 6,9 milhões de quilômetros quadrados de Amazônia, 4,2 milhões ficam em território brasileiro. E é ali que moram mais de 20 milhões de pessoas, cerca de 200 mil indígenas e uma biodiversidade que apesar de ser pouquíssimo conhecida, é das mais impressionantes.

Além de ser fundamental no equilíbrio climático global e influenciar diretamente o regime de chuvas do Brasil e da América Latina, a floresta amazônica estoca entre 80 e 120 bilhões de toneladas de carbono. Números suficientes para convencer qualquer um da importância de se manter de pé esse patrimônio.