sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Aquecimento global: todos podem fazer sua parte


Mudanças no clima são nosso maior desafio. Influem na oferta de água e na qualidade do solo, na biodiversidade e na degradação dos oceanos e alteram a maneira como vivemos. Veja o que já está acontecendo pelo mundo
Edição: Mônica Nunes
(Planeta Sustentável - Junho 2011*)
A temperatura no planeta está 0,6ºC acima da média histórica, de 14ºC. A última década foi a mais quente desde o início da medição, no século 19.

Se a temperatura do planeta subir além de 2ºC nossa vida ficará mais difícil. Ou, no mínimo, diferente do que é hoje. Ela já subiu 0,6ºC. A seguir, alguns impactos das mudanças climáticas que já estamos sentindo:

- Chuvas fortes e secas intensas comprometem a produção das hidrelétricas: é preciso abrir as comportas dos reservatórios ou surge o medo do apagão.

- Boa parte das culturas são sensíveis às alterações do clima: O chá Assam, da Índia, perdeu a intensidade do sabor e produtividade. Na Colômbia, colhem-se menos grãos do seu café gourmet. Na Europa e na América do Sul, os produtores de vinho procuram novas variedades de uva. (Leia as reportagens Mudanças climáticas afetam produção de alimentos e Mudança do clima ameaça vinho europeu;

- Mais chuvas e em alta intensidade levam mais sedimentos para os rios, lagos e reservatórios. Isso requer esforço maior no tratamento da água.

- Estações de esqui estão ameaçadas! Em 2010, na Olimpíada de Inverno, em Vancouver, foi preciso trazer neve de outras regiões. (Esse problema foi divulgado em 2007, pelas revistas Superinteressante, no Especial 33 lugares para conhecer antes que acabem e Veja, na reportagem Não tem neve, vamos ao spa)

- Com a elevação do nível do mar, a faixa de areia de praias de ilhas paradisíacas e cidades à beira-mar diminui a cada ano, atingindo moradores e turistas.

É preciso mudar hábitos para reduzir o impacto do nosso estilo de vida no planeta. Governos buscam acordos mundiais; empresas estudam como produzir mais com menos; você faz o mesmo ao consumir, descartar e se locomover de forma responsável.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O SOL HÁ DE BRILHAR!!


As eólicas foram as grandes vitoriosas do último leilão de energia do governo, onde a energia solar sequer foi contemplada. Mas isto não significa um futuro negro para as forças radiosas do sol.

A notícia é que a fonte começará a receber incentivos para alavancar seu potencial, a começar pelo governo do Ceará, que acaba de criar um fundo para garatir a compra da energia e criar demanda para produtores de equipamentos virem para a região. Por dois anos, o governo cearense garante a compra da energia.
FONTE:: Greenpeace Brasil.

As projeções internacionais também são positivas. Os preços dos equipamentos deve cair pela metade nos próximos dois anos, equiparando o custo da solar-fotovoltaica ao de uma termelétrica à carvão, garante recém-lançado estudo da Bloomberg New Energy Finance.

A queda tem origem: a China. Graça ao aumento da produção chinesa, que tem forte mercado tanto para solar, quanto para eólica, a energia vem tendo ganho de escala em vários mercados mundiais.

O preço salgado da irresponsabilidade!!

Vem custando caro aos cofres da Indústria Nucleares do Brasil (INB) seguir em sua empreeitada perigosa de extração de urânio em Caetité (BA). Somado aos 600 mil reais de multa que pesaram sobre a empresa após episódio de transporte não autorizado de carregamento de urânio, a INB agora amarga outros dois milhões de reais pagos ao Ibama por irregularidades na operação e poluição em ambiente de trabalho.

Além da multa, o IBAMA embargou umas das áreas da indústria, onde são feitas atividades de precipitação, filtração, secagem e embalagem do urânio concentrado, que vai para o exterior para ser enriquecido e volta para o Brasil, onde é transformado no combustível das usinas de Angra I e II, no Rio de Janeiro.

O rol de punições incluíram ainda advertências, autuações e recomendações de outros órgãos estaduais de fiscalização. O castigo é pouco, perto da lista de irresponsabilidade acumuladas pela empresa. No caso do transporte de urânio, noventa toneladas de carga radioativa passearam de São Paulo à Bahia e terminaram estacionadas em uma delegacia de uma pequena cidade próxima à Caetité por cinco dias, expondo a população ao risco e às incertezas. A INB também está envolvida em uma série de denúncias de contaminação de água. FONTE:: Greenpeace Brasil
http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Blog/o-preo-salgado-da-irresponsabilidade/blog/36479/

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O PLANETA ESTÁ DOENTE E TEM PRESSA



Até mesmo os mais incrédulos já concordam: a temperatura da Terra está subindo e a maior parte do problema é provocada por ações do homem, como a queima de combustíveis fósseis. Ainda persistem divergências acerca do tamanho do impacto sobre a vida humana. As soluções também são controversas
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Por Ronaldo França e Ronaldo Soares
Revista Veja - 07/05/2008

PREVISÕES

1. EXISTE ALGUMA DÚVIDA CIENTÍFICA INCONTESTÁVEL DE QUE O PLANETA ESTÁ SE AQUECENDO?
Não. Nem os cientistas mais céticos colocam esse fato em dúvida. Nos últimos 100 anos, a temperatura média mundial subiu 0,75 grau Celsius. Também não existe contestação séria ao fato de que isso vem ocorrendo em um ritmo muito elevado. Entre 1910 e 1940 (portanto, em trinta anos), a temperatura média do planeta se elevou 0,35 grau. Entre 1970 e hoje (38 anos), subiu 0,55 grau. Nos últimos doze anos o planeta experimentou onze recordes consecutivos de altas temperaturas.

2. ALÉM DAS MEDIÇÕES, EXISTEM OUTRAS EVIDÊNCIAS IRREFUTÁVEIS DO AQUECIMENTO?
O derretimento do gelo especialmente na calota norte, o Ártico, que vem perdendo área a cada verão, é uma forte evidência. Na calota sul, a Antártica, as perdas são menores e há até aumento da massa total de gelo mesmo com diminuição da área. Paradoxo? Não. Esse aumento é atribuído ao aquecimento global, que elevou a umidade na região, em geral mais seca do que o Deserto do Saara. Com mais chuvas, forma-se mais gelo.

3. OS CIENTISTAS DISPÕEM DE INSTRUMENTOS CONFIÁVEIS PARA AVALIAR AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS?
Os sinais do aquecimento global não são produto de modelos de computador, mas de medições por instrumentos precisos. Entre as mais concretas estão as medições feitas por satélites e por sondas flutuantes nos oceanos, que fornecem dados em tempo real, segundo a segundo.

São consideradas também as medições menos diretas, como a que detecta a espessura e a extensão do chamado "permafrost", o terreno eternamente congelado no Círculo Polar Ártico. Até as flutuações de cores nas auroras boreais fornecem dados sobre a temperatura da Terra. O interessante é que todas as medições, diretas e indiretas, apontam para o aquecimento, sem discrepâncias.

4. A TEMPERATURA DA TERRA TEM CICLOS NATURAIS DE AQUECIMENTO E RESFRIAMENTO. POR QUE O AQUECIMENTO VERIFICADO AGORA NÃO É NATURAL?
Há menos de quarenta anos, na década de 70, alguns cientistas chegaram a prever que o planeta estava entrando em uma nova era glacial, tamanha a agressividade dos invernos no Hemisfério Norte. Essa previsão não pode ser comparada à previsão de aquecimento de agora.

Nunca houve consenso sobre a iminência de uma nova era glacial, tratava-se de pura especulação. Agora existe um consenso mundial entre os cientistas de todas as tendências de que o planeta está se aquecendo. Menos consensual, mas majoritária, é a noção de que o aquecimento é causado pelo atual estágio civilizatório humano, em especial as atividades industrial e de consumo.

5. POR QUAIS PERÍODOS DE AQUECIMENTO A TERRA JÁ PASSOU?
Nos últimos 650.000 anos foram identificados pelo menos quatro. O primeiro há 410.000 anos, o segundo há 320.000, o terceiro há 220 mil anos e o quarto há 110 mil.

GRAMA É FONTE DE ENERGIA



Grama poderá ser a próxima fonte

Quando se trata do processo de digerir grama, ninguém faz melhor que as vacas (ou outros ruminantes). Agora os cientistas estão de olho nelas, para descobrir pistas que possam ajudá-los a produzir biocombustível. Os resultados têm sido encorajadores - pesquisadores descobriram mais de uma dúzia de micróbios que fazem biologicamente o trabalho de dissolver celulose em seus estômagos.

Técnicas de sequenciamento genético estão forçando micróbios a revelar segredos, como por exemplo quais enzimas fazem na verdade o metabolismo no rume da vaca. Segundo Eddy Rubin, do Departamento de Energia dos EUA, "a indústria está buscando melhores meios de dissolver biomassa para uma nova geração de biocombustíveis. Estamos examinando a maquinaria molecular usadas por micróbios que podem decompor plantas".

Os pesquisadores queriam achar micróbios que trabalham no ambiente sem ar do rumem da vaca. Abriram cirurgicamente um orifício nele para extrair uma amostra. Usando a metagenômica, um método de sequencimento de genes que mapeiam o DNA de uma comunidade de organismos, e não de um só, isolaram as enzimas produzidas pelos micróbios.

O alvo do estudo é um tipo de grama muito resistente, que pode crescer em lugares inóspitos mas pode servir para produzir biocombustível, segundo o About My Planet. Ela é particularmente difícil de ser utilizada, diz Rubin: "Os micróbrios evoluíram por milhões de anos para degradar eficazmente biomassa recalcitrante. Comunidades destes organismos podem ser encontrados em diversos ecossistemas, tais como no rume de vacas, em estômago de cupins ou como cobertura do chão de florestas".

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Poluição e pobreza, um círculo vicioso

Estudos tentam entender impactos ambientais

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) está financiando U$ 7 milhões em pesquisas para avaliar o efeito cumulativo na saúde de poluentes como mercúrio e chumbo, e fatores sociais como estresse e má nutrição em diversas comunidades de baixa renda.

A EPA estuda tipicamente apenas os efeitos para a saúde de substâncias químicas individuais. Mas um crescente corpo de pesquisas sugere que a exposição cumulativa a poluentes múltiplos, e fatores não químicos, como estresse, pobreza e dietas pobres, podem amplificar os efeitos negativos de uma única substância tóxica. Diversos estudos irão também examinar por que algumas etnias e subgrupos parecem mais suscetíveis a ameaças à saúde por fatores ambientais - como a asma.

Minorias, populações tribais e de baixa renda são desproporcionalmente expostas à poluição e impactadas por ela, como notam há décadas advogados da justiça ambiental. As bolsas de pesquisa fazem parte de um compromisso da agência de 2010, de entender estes impactos, diz Paul Anastas, administrador da EPA para pesquisa e desenvolvimento, segundo o Green Blogs do New York Times.

“Estas pesquisas podem abrir caminho para mais trabalhos interdisciplinares que respondam às preocupações das comunidades e à justiça ambiental", disse ele.

MUDANÇAS NO CLIMA PROVOCAM REAÇÕES ADVERSAS




Mudanças do clima provocam reações diversas

Cada um se adapta como pode

Resultados de um estudo da Universidade Baylor, no Texas, mostram que diferentes comportamentos e estratégias levaram algumas famílias a lidar melhor que outras com eventos relacionados ao clima. A pesquisa foi feita pela antropóloga Sara Alexander, que estudou lares diferentes em cidades costeiras de Belize, na América Central, informa o Physorg. A mudança do clima vem sendo um tópico de crescente interesse na comunidade científica mundial, mas existem poucos dados sobre como pessoas respondem a choques ligados ao clima, e eventos como furacões mais intensos e secas mais prolongadas.
Alexander e sua equipe identificaram lares vulneráveis na região e desenvolveram ferramentas para mensurar a resiliência de cada casa no longo prazo, uma área pouco pesquisada, e avaliaram comportamentos e estratégias que permitiram que algumas famílias se saíssem melhor que outras de desastres do clima. Os resultados mostram que 62% dos lares vulneráveis são mais preocupados com eventos únicos, como furacões, do que com enchentes ou secas prolongadas.
A percepção sobre a mudança do clima e os padrões do tempo têm papel importante para determinar se um lar se prepara convenientemente para um evento extremo. Cerca de 57% das pessoas acreditam que hoje as tempestades são mais intensas que há cinco ou dez anos, e elas são mais preparadas a reagir a previsões de tempo ameaçador.
Os lares vulneráveis diferem dos mais seguros em suas estratégias, quando tratam de eventos ligados ao clima.49% deles recorrem à fé, 43% à família, e 36% procuraram amigos para apoio emocional. Apenas 19% procuraram assistência financeira, e 8% fizeram tentativas de obter crédito para reformas em suas casas. As casas com maior grau de segurança têm maior probabilidade de usar suas economias ou vender seus bens para reformar ou reconstruir, e muitas vezes encontram consolo emocional neste trabalho. Um ingrediente crítico para reduzir a vulnerabilidade e aumentar a resiliência é o empoderamento de grupos marginalizados e o acesso associado a recursos, indica o estudo.




O que causa extinções em massa


Terra pode perder mecanismos reguladores

Em traços de sedimentos e registros fósseis de um dos mais tumultuados períodos da Terra, geólogos encontraram uma ligação narrativa entre extinções em massa e mudanças planetárias biológicas e geológicas.
Depois de dramáticas extinções oceânicas, entre 250 milhões e 200 milhões de anos atrás, o ciclo global de carbono entrou em parafuso. A biogeoquímica da Terra ficou surtada por milhões de anos depois, como se algum mecanismo de regulagem tivesse sido perdido - e foi exatamente isto que aconteceu.
“As pessoas falam em biodiversidade, e de como é bom ter uma variedade de todas as criaturas. Mas a razão de isso importar é que a função do ecossistema é em si mesma dependente da diversidade, face a mudanças ambientais normais", diz a geóloga Jessica Whiteside, da Universidade Brown. “Diminua demais a biodiversidade, e o sistema perderá sua resiliência. E vai se tornar um escravo de mudanças ambientais que, de outra forma, poderiam ser pequenas".
Whiteside é especialista na leitura de registros geológicos de extinções passadas, tirando de rochas e fósseis a história daqueles períodos da história nos quais, por uma razão ou outra, a maioria das forma de vida deixou de existir.
No novo estudo, publicado na semana passada na revista Geology, Whiteside e o biólogo Peter Ward, da Universidade de Washington, focam em duas extinções de massa de consequências marinhas especialmente catastróficas - a extinção do período Permiano-Triássico, de 250 milhões de anos atrás, em que 96% de todas as espécies marinhas foram extintas, e a do Triássico-Jurássico, há 200 milhões de anos, quando foram extintas 20% de todas as famílias marinhas.
Os cientistas dizem que uma nova extinção em massa está em curso, com as taxas de extinção em uma ordem de magnitude maior que a normal, na terra e no mar. Estudos como os de Whiteside sugerem quais poderiam ser as consequências da extinção - não apenas para pessoas, em uma escala de décadas ou séculos, mas para o funcionamento do planeta, milhões de anos no futuro.
“As extinções em massa nos dão uma série de experimentos que demonstram o que pode acontecer quando há uma perda catastrófica de diversidade", disse Whiteside, segundo a Wired.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

2011: o ano internacional das florestas


O ano das florestas


Foto: Rodrigo Baleia/Greenpeace
Virada a página do calendário, entramos no Ano Internacional das Florestas. Assim ficou estabelecido na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU): 2011 é o ano das matas, que chegam a cobrir 31% da área terrestre do planeta. Mais que uma homenagem, o objetivo da ONU é lembrar ao mundo a importância que as florestas têm para a sobrevivência de todo tipo de vida – incluindo nós, humanos.

Segundo dados da organização, é debaixo das copas das árvores que vivem 300 milhões de pessoas e 80% da biodiversidade da Terra. Mas os serviços ambientais das florestas vão muito além de suas fronteiras: calcula-se que pelo menos 1,6 bilhão de pessoas dependa diretamente delas para sobreviver.

Boa parte desse total está do lado de cá do globo. Afinal, está aqui a maior floresta tropical do planeta. Dos 6,9 milhões de quilômetros quadrados de Amazônia, 4,2 milhões ficam em território brasileiro. E é ali que moram mais de 20 milhões de pessoas, cerca de 200 mil indígenas e uma biodiversidade que apesar de ser pouquíssimo conhecida, é das mais impressionantes.

Além de ser fundamental no equilíbrio climático global e influenciar diretamente o regime de chuvas do Brasil e da América Latina, a floresta amazônica estoca entre 80 e 120 bilhões de toneladas de carbono. Números suficientes para convencer qualquer um da importância de se manter de pé esse patrimônio.