terça-feira, 8 de dezembro de 2015

POLUIÇÃO NA CHINA: até quando isto vai continuar???

No dia 09 de dezembro de 2015, a China bate recorde histórico de poluição. O Nível de poluição chegou a 56 vezes do máximo permitido pela OMS. O nível de poluição neste dia 9 provocou o cancelamento de vôos e o fechamento de estradas. Com apenas 500 mts de visibilidade, a região nordeste do País é a mais afetada. Em Shenayang o nível de poluição é mais alto já registrado no mundo segundo ecologistas locais. No dia 8 ( 1 dia antes), o índice de 2,5 de diâmetro (que analisa partículas perigosas à saúde) atingiu 1.400 microgramas por metro cúbico, ou seja: 56 vezes maior do que o limite permitido pela OMS ( Organização Mundial de Saúde). A população destas e de muitas outras cidades estão revoltadas, e dizem estar insatisfeitas pela incapacidade das autoridades não poderem controlar a poluição e a emissão do CO2. “A cada dia que passa, as emissões de carbono estão reduzindo a expectativa de vida na China”, afirma Mauro Fernández, coordenador da campanha de clima e energia do Greenpeace Argentina Realmente, é preocupante a situação - não só para o povo chinês, mas para todo o Planeta que tambem sofre os efeitos da poluição emitida demasiadamente naquela região. Não podemos nos esquecer que o 'efeito estufa' é gerado por toda a poluição que provém das mais diversas regiões da Terra. ATÉ QUANDO ISTO VAI CONTINUAR?? O QUE SERÁ DO NOSSO BELO PLANETA???? (Fontes: "O Estadão" / "Caminho Sustentável" )

domingo, 6 de dezembro de 2015

A VERGONHOSA POLUIÇÃO DA BAÍA DE GUANABARA E LAGÔA RODRIGO DE FREITAS

Um monte de peixe morto apareceu recentemente na Lagoa Rodrigo de Freitas, onde vão ser realizadas as provas de remo nas Olimpíadas de 2016. Já na Barra da Tijuca, onde está sendo construída a cidade olímpica, a promessa era despoluir a lagoa E é em uma Baía de Guanabara, tomada de lixo e esgoto, que vão ser realizadas as provas de vela. A despoluição da baía foi anunciada como o maior legado para o Rio de Janeiro. Mas faltando pouco menos de um ano para as Olimpíadas, isso não aconteceu.. Para que serve uma caixa de peixe, se não para carregar peixe? Você vai ver nessa história que ela serviu para outra coisa. Em uma terça-feira de sol um barco a vela navegava na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Breno e Rafael estavam a bordo. Os dois velejadores vinham em alta velocidade até que... “Eu só consegui ver quando uma caixa verde de plástico boiou na nossa frente e não deu tempo de fazer nada. Do nada aquilo pegou na bolina, na quilha do barco, aquilo freou a gente, ele embicou e já virou”, conta Rafael Sampaio, velejador. Uma caixa de peixe foi suficiente para virar o barco. Mas na baía se encontra muito mais. “Um botijão de gás, mochila. Isso é um tênis, que a população joga no mar direto”, mostra um pescador. São praias de pneus. E faixas de areia em que o lixo só acaba quando acaba a areia. E outras em que só os urubus desfrutam da paisagem. Há 20 anos o professor Mário Moscatelli estuda a baía. Ele acompanha a equipe do Fantástico em um sobrevoo. “Os rios que passam pelas regiões urbanizadas, eles se juntam então todo material que é jogado, tanto sendo esgoto e lixo, vão parar inevitavelmente pra dentro da baía”, destaca o biólogo. Cinquenta e cinco rios que passam por 16 municípios antes de desaguar na Baía de Guanabara. Além do lixo, eles trazem 18,4 mil litros de esgoto por segundo. “São praticamente mortos. Não tem oxigênio. Devido a carga de esgoto que é jogado dentro dele”, diz o professor. Não é de hoje que se tenta reverter essa situação. Faz vinte anos. Desde então, o governo do estado do Rio já contraiu empréstimos de cerca de R$ 10 bilhões para recuperar a baía. Uma das promessas mais antigas ouvidas no Brasil. “Nós vamos utilizar esses recursos se possível nos meus 4 anos”, disse Marcelo Alencar em 1995. “Estão dentro do cronograma prevista para serem encerradas em 2003”, prometeu Garotinho em 2002. “Já está atrasada de novo a obra, nós vamos ter que renegociar os prazos e eu quero adiantar e garantir a segunda fase de despoluição”, disse Rosinha em 2003. “Eu não tenho a menor dúvida de que é um programa importantíssimo. Nós temos que convencer os japoneses, os bancos internacionais a continuarem investindo”, destacou Sérgio Cabral em 2006. “Vai melhorar a vida do entorno da Baía de Guanabara e de diversas cidades”, afirmou Luiz Fernando Pezão em 2014. (Fantástico): Você acha que pode ser uma vergonha as Olimpíadas para a gente? (Mário Moscatelli): Eu não acho, eu praticamente tenho certeza. Infelizmente nem no pior dos meus pesadelos eu pensei que as autoridades brasileiras fossem ficar empurrando com a barriga um problema que é mais que conhecido, mais que sabido. Quando o Rio de Janeiro ganhou a candidatura para as Olimpíadas, o compromisso era tratar 80% de todo esgoto despejado na Baía de Guanabara. Seria o maior legado das Olimpíadas. Se a promessa tivesse sido cumprida. Hoje, 49% do esgoto da região é tratado. E o esgoto de mais da metade dos 9 milhões de moradores da região é despejado sem tratamento nas águas da Baía de Guanabara. Grande parte do dinheiro investido foi para as estações de tratamento de esgoto. O governo só esqueceu de fazer os canos que ligam a casa das pessoas a estes lugares. Conclusão: sete estações de tratamento funcionam bem abaixo da capacidade. E a situação não deve mudar muito até as Olimpíadas. “Eu não quero dar número, mas não vamos ter nesse um ano um salto significativo”, afirma André Corrêa, secretário estadual do Meio Ambiente. (Fantástico): Tem alguma previsão de como vamos estar em porcentagem de cobertura de esgoto tratado nas Olimpíadas? (Jorge Briard, presidente da Cedae): Dizer porcentagem de esgoto. Eu acho que não é um bom indicador. “Eu não vou alcançar de 100% da despoluição da Baía de Guanabara. Até porque o estado não dispõe desses recursos”, disse André Corrêa. Agora, a previsão é que serão necessários mais R$ 12 bilhões para atingir a meta de coletar e tratar todo o esgoto da aérea. Esse dinheiro todo seria gasto para que a gente voltasse para um passado recente. Há 50 anos, no local se tomava banho de mar. Mas cada vez mais a gente foi virando as costas e fingindo que não vê e que é impossível não ver. O cartão postal de tirar o fôlego, virou o depósito de lixo e esgoto mais bonito do mundo. E nesse lugar que os velejadores serão obrigados a competir.
(Fantástico): Que tipo de doença alguém que entra na agua da Baía de Guanabara hoje pode pegar? (Alberto Chebabo, infectologista): As doenças mais comuns são hepatite A, que é transmitida também pelo esgoto e doenças diarreicas, principalmente doenças bacterianas diarreicas. Sem alternativa, alguns atletas já estão se preparando. Nick Thompson, da delegação inglesa de vela, acha que vai aumentar a imunidade tomando vitaminas e óleo de peixe. Ele já teve dor de estomago no último evento teste na baía e não quer ficar doente de novo nas Olimpíadas. “Estaria mentindo se dissesse que não me preocupo. Acho que a qualidade da água é um problema e todo atleta aqui se preocupa com isso”, conta Nick Thompson, velejador. O holandês Dorian Van Rijsselbergue, medalha de ouro em Londres, também esteve no Rio em 2013. Falamos com ele pela internet e ele disse que nunca viu em um lugar tão sujo. “A poluição era muito grande. Passávamos por geladeiras, móveis e animais mortos”, conta Dorian Van Rijsselberghe, velejador. (Fantástico): Para os atletas que estão vindo competir existe algum jeito de se prevenir? (Infectologista): Em relação a hepatite A, a vacina. Em relação as doenças diarreicas, não. A única prevenção realmente é você não entrar em contato, não deglutir a água. Todos já sabem que a quantidade de esgoto na baia será praticamente o mesmo durante as Olímpiadas “A qualidade da água vai ser o que tem hoje, se a gente conseguir tirar uma boca de esgoto que tem dentro da Marina da Glória já vai ser um avanço”, diz Torben Grael, velejador. A Federação Internacional de Vela diz que se a situação continuar assim, as provas não podem acontecer na baía. “Se nada mudar e a água continuar poluída, nós vamos ter que tirar as provas da baía. Não podemos ter jogos de vela em um lugar que é prejudicial à saúde, inseguro ou que atrapalhe o desempenho dos atletas”, afirma Scott Perry, vice-presidente da Federação Internacional de Vela. O Comitê organizador diz que não tem outro plano. “Nós vamos manter o plano que a gente sempre teve que é organizar essas competições aqui na Baía de Guanabara”, diz Agberto Guimarães, diretor executivo de esportes do Comitê 2016. Mas o governo garante que pelo menos dará um jeito no lixo que boia pelos 380 km quadrados da baía, 2 bilhões de metros cúbicos de água. Mas será que ela pode ser limpa com barcos como o do vídeo acima? É como se o espelho d’água fosse uma rua imunda e esse barco fosse uma equipe de catadores de lixo que vai, em um trabalho de formiguinha, recolhendo o lixo da água. São 8 horas por dia, 5 dias por semana, para tentar transformar pelo menos a aparência superfície da baía esse cenário mais digno do cartão postal. Os barcos são capazes de recolher 45 toneladas de lixo por mês. Acontece que chegam mais de 100 toneladas de lixo sólido até a baía por dia. O equivalente a cem mil caixas de peixe. O lixo pode vir de muito longe. Quando um dos 16 municípios do entorno não coleta o lixo, ele acaba em um bueiro. Dali vai para rios e canais, e com a chuva é arrastado até a baía. Os barcos não estavam dando conta. E o governo do estado do Rio de Janeiro parou de pagar os R$ 320 mil por mês para as empresas que prestam o serviço. Mesmo sem receber, as empresas continuaram trabalhando por algum tempo. “Nós fizemos isso até o início de fevereiro, quando a gente efetivamente comunicou ao Estado que paralisaria as operações”, conta o empresário Francisco Vivas. O governo diz agora que está estudando outras maneiras de recolher esse lixo. “A ideia é ter barcaças maiores. Enfim, coisas básicas de gestão, nada de muito sofisticado”, diz André Corrêa, secretário estadual do Meio Ambiente. Ainda não há previsão de quando os novos ecobarcos irão passar a funcionar. Enquanto isso, projetos são desenvolvidos para tentar fazer que cenas como as mostradas no vídeo acima não se repitam nas olímpiadas. O engenheiro gaúcho Nelson Fiedler projetou uma espécie de coletor de lixo para ser amarrado atrás de barcos de pesca. Ele acredita que pode ajudar a limpar a baía para as Olimpíadas. (Fantástico): Você acha que isso é capaz de limpar a Baía de Guanabara? (Nelson Fiedler, engenheiro): Eu diria que isso vai limpar muito. A estrutura tem 15 metros de comprimento, 1,5m de altura e pode levar mais de 30 toneladas de lixo. É muito maior do que os ecobarcos que estavam em operação até agora. Mas quanto mais longe, mais a gente vê o tamanho do problema. Os engenheiros sugerem que dez barcos trabalhem continuamente, mas quando se vê a baía inteira, acaba se tornando um ponto na imensidão. Outra tentativa do governo do estado de diminuir a sujeira foi a instalação de boias em sete rios da região. Resolveram chamá-las de ecobarreiras. A ideia é simples: segurar o lixo antes que eles cheguem na baía. Mas os especialistas estão dizendo que também não resolve. “O lixo ou passa por baixo ou quando chove muito violentamente a barreira se abre” diz Mário Moscatelli. A poucos metros da ecobarreira, nesse mangue, a prova de que elas não funcionam direito. “Tem tudo tem bola, tem tênis, tem copo, outro tênis”, diz Moscatelli. O próprio professor limpou a área de manguezal em 2012. “Toda a imundície que é jogada dentro dos rios veio parar no mangue”, explica. “Esse fedor aí ninguém aguenta não. E dá rato ali. Rato para caramba aqui. Tem cobra, cobra aqui dentro do quintal, rapaz. E quando enche o esgoto entra dentro de casa? E o fedor? Eu passei o natal com água por aqui, eu e meu filho”, diz Alexandre, um morador próximo do valão. Do lado de um valão Alexandre criou os filhos e hoje cria os netos. Fantástico: Eles pegaram muita doença por causa de esgoto aqui quando estavam crescendo? Mulher: Diarreia, vomito, essas coisas assim. Nas cidades do entorno da Baía de Guanabara, são internadas mais 2, 7 mil pessoas por ano com doenças ligadas à falta de saneamento. E em 2013, ano do último levantamento do Ministério da Saúde, foram 22 mortes. A despoluição da Baía de Guanabara é só para inglês ver. É na casa de Alexandre e em outras milhões que vivem assim, que deveríamos estar agora comemorando o legado. (Créditos: Jornalismo "Fantástico, G1)

A tragédia inesquecível de Mariana, Minas Gerais: Consequências

O rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco,cujos donos são a Vale a anglo-australiana BHP, causou uma enxurrada de lama que inundou várias casas no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, na tarde desta quinta-feira 5 de novembro. Inicialmente, a mineradora havia afirmado que duas barragens haviam se rompido, de Fundão e Santarém. No dia 16 de novembro, a Samarco confirmou que apenas a barragem de Fundão se rompeu. Ibama diz que quase 1,5 mil hectares foram destruídos por desastre ‘É impossível estimar um prazo de retorno da fauna ao local’, aponta laudo. Estudo preliminar aborda impactos ambientais e sociais em MG e no ES.
Um laudo técnico preliminar do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aponta que 1.469 hectares de vegetação – ao longo de 77 quilômetros de cursos d’água, inclusive em áreas de preservação permanente – foram destruídos pelo rompimento da barragem da Samarco, cujas donas são a Vale a BPH Billiton, em Mariana. Mais de 600 afluentes foram afetados, e agora a lama já chega em “Registro”, litoral do Espírito Santo. O local tambem sofre duramente as consequências da lama no mar: donos de pousadas, comenrciantes locais, pescadores , surfistas e turistas foram afetados e mudam suas rotinas. A vida marítima tambem foi comprometida, e a mancha caminha em direção ao alto mar sem rumo certo. Uma das observações importantes, é que a mesma não se mistura com a água do mar, despertando curiosidade em estudiosos ambientais. Além dos danos à vegetação, o estudo, divulgado pelo jornal 'O Estado de S.Paulo', também destaca os impactos à fauna, à qualidade água e socioeconômicos. O laudo indica que, a execução das medidas de reparação de danos, quando viáveis, durará pelo menos dez anos. Em relação aos animais, o documento não traz dados animadores. “O nível de impacto foi tão profundo e perverso ao longo de diversos estratos ecológicos, que é impossível estimar um prazo de retorno da fauna ao local, visando o reequilíbrio das espécies na bacia do rio Doce”, traz o documento. Segundo informações apresentadas pelo Ibama, mais de 80 espécies habitavam a bacia hidrográfica antes do desastre ambiental. Dentre elas, 11 estavam ameaçadas de extinção e 12 são exclusivas ao rio. Somente no período entre 16 e 23 de novembro, no trecho entre as cidades capixabas de Baixo Gandu e Linhares, quase 7,5 mil peixes mortos foram recolhidos. Entretanto, de acordo com o laudo, a mortandade de animais pode ser ainda maior do que a aparente. Como a maioria dos peixes do rio é de pequeno porte, eles podem se decompor rapidamente ou talvez não flutuem após perderem a vida. Além disso, o rompimento da barragem ocorreu justamente na época de reprodução de peixes e crustáceos. Segundo o Ibama, os danos chegam a toda cadeia alimentar, afetando desde plânctons até os mamíferos. “Essas alterações poderão até provocar um aumento no grau de ameaça de extinção das espécies já ameaçadas, bem como tornar ameaçadas espécies antes abundantes”. O Parque Estadual do Rio Doce, maior área preservada de Mata Atlântica de Minas Gerais, também está ameaçado, conforme o estudo. A lama de rejeitos, segundo o Ibama, tem potencial de extravasar a calha do rio e atingir o sistema de lagoas e florestas ciliares da reserva. Conforme o relatório, 34 milhões de metros cúbicos de rejeito de minério vazaram da barragem de Fundão, no dia 5 de novembro. Outros 16 milhões de metros cúbicos seguem sendo carreados por mais de 663 quilômetros e, por isso, segundo o Ibama, “pode-se dizer que o desastre continua em curso”.
De acordo com o laudo, em Bento Rodrigues, em Mariana, das 251 edificações do subdistrito, 207 estão na área atingida pelo mar de lama. Esse levantamento, entretanto, ainda não foi feito em outras localidades como Paracatu de Baixo, a segunda mais atingida. Ao longo do caminho percorrido pela lama, ao menos 1.249 pescadores foram afetados em mais de 40 cidades mineiras e capixabas. Em relação ao impacto na qualidade da água, além da suspensão do abastecimento nos municípios afetados, a presença de metais e alteração de outros parâmetros indica a necessidade de monitoramento contínuo do ambiente afetado. O laudo é finalizado com uma enumeração de medidas de recuperação que devem ser tomadas. Entre as ações voltadas para o meio ambiente, estão a elaboração de planos de recuperação e conservação do solo e da água, de gerenciamento do material retirado do rio Doce e de monitoramento ambiental da bacia. Com relação aos impactos sociais, além da reconstrução das estruturas afetadas e realojamento de pessoas, o estudo recomenda a execução de pesquisa social, visando ao conhecimento da percepção de riscos de rompimento de barragens. O laudo ainda ressalta que deve ser dada atenção especial a populações indígenas, àqueles que trabalham com ecoturismo e a comunidades de pescadores e de pequenos agricultores. E em meio a toda a catátrofe ocorrida, os 'heróis de verdade' aparecem e bravamente encaram a lama para resgatar animais encalhados e presos na lama, passando fome, com sede e sem poder se mover. Alguns resgates forma realmente emocionantes!
A Lama no mar do espírito Santo Além da preocupação com a qualidade da água do mar, o principal atrativo turístico do estado, as pessoas tendem a se preservar e não fazer grandes comemorações ou viagens em momentos de desastres, como o ocorrido em Mariana e com o Rio Doce, na avaliação de Caus. “As pessoas tendem a se preservar em desastres assim. E aquilo foi uma catástrofe”, completou. Segundo registros do Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema), a lama deslocou-se 30 quilômetros para o Norte da foz em Linhares, outros cinco quilômetros ao Sul e mais 20 quilômetros a Leste, ou seja, mar adentro. O rumo seguido pela lama depende principalmente das ondas e da direção que o vento sopra. Com essas quilometragens, por enquanto a lama está na altura de Regência e de Povoação, em Linhares. O balneário Pontal do Ipiranga, na parte mais ao norte de Linhares, não foi atingido pela lama, mas também sofre.
"Consequências permanentes do desastre ambiental de Mariana" : Para o médico patologista Paulo Saldiva, um dos grandes especialistas em poluição ambiental do mundo, a ruptura das barragens da mineradora Samarco, em Mariana (MG), ocorrida no dia 5 de novembro, é a maior tragédia ambiental de toda a história do País. A Samarco é uma joint-venture da companhia Vale do Rio Doce e da anglo-australiana BHP. Segundo o pesquisador, os rejeitos da Mina de Germano, no município de Mariana (MG), formarão um “tapete mortal” no fundo do Rio Doce e seus afluentes. Além disso, podem penetrar o solo e infiltrar no lençol freático, inviabilizando o plantio e o uso da água de poços. O pesquisador também diz que a divulgação do tipo e do teor dos resíduos tóxicos contidos na mistura de rejeitos e lama não poderia demorar tanto. “Isso impede a definição de medidas e agrava os riscos para o ambiente e à saúde das pessoas.” Saldiva, entre outras atividades, dirige o Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, é membro do Comitê de Qualidade do ar da Organização Mundial de Saúde e pesquisador do Departamento de Saúde Ambiental da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Também colunista do canal Saúde!Brasileiros. (Saúde!Brasileiros) – Como será o futuro da vida e a saúde humana na região afetada pelos rejeitos da mineradora Samarco? (Paulo Saldiva) – Muito complexo. Essa lama não é normal, mas sim um rejeito de mineração. Deve ser rica em ferro, mas há outros elementos. Dependendo do processo de mineração, por exemplo, os rejeitos contêm substâncias que modificam o pH do solo e da água, que pode ser tornar muito básico ou muito ácido (em função do que se usa para extrair o ferro). Isso afeta as espécies, mas a natureza consegue se reequilibrar. O problema é que o tipo e o teor dos resíduos de metais pesados que podem estar nessa lama ainda não é conhecida com precisão. Isso atrasa a adoção de medidas para lidar com o impacto ambiental, que é imenso. Por que ainda não se sabe o tipo e teor dos metais pesados e outras substâncias presentes nos rejeitos? Impressiona que a informação não tenha sido divulgada claramente até agora. Eu não tive acesso a esses dados e acho que ninguém teve. Entre as substâncias tóxicas que podem estar associadas ao ferro nos rejeitos podem estar os metais chumbo, arsênico, cádmio e manganês. Essas informações já poderiam ter sido divulgadas? Seria muito importante que os dados já estivessem disponíveis para que os centros de pesquisa do País e internacionais pudessem estudá-los e sugerir ações. Existe tecnologia disponível para identificar com segurança o tipo e a quantidade dos resíduos tóxicos em situações como essa. Há um teste chamado espectroscopia de fluorescência de Raio X que pode ser feito com máquinas portáteis no local. Aí você consegue saber com quais substâncias e em qual quantidade se está lidando. A demora no conhecimento dessas informações multiplica os danos e riscos à saúde das pessoas. Sem saber o que há nessa mistura de lama e rejeitos, é possível estimar os riscos para fauna e flora? Essa lama vai, por assim dizer, “asfaltar” o fundo do rio. Isso significa que o Rio Doce e qualquer afluente onde ela se depositar estarão mortos por muito tempo. E, consequentemente, o ecossistema a ele associado. É um desastre de proporções gigantescas. Será possível plantar novamente na área afetada daqui a algum tempo? Sem os dados do que há nos rejeitos e na lama, não podemos saber. Mas além de reduzir muito a fertilidade do solo da região atingida, os elementos tóxicos podem se acumular e percolar para o lençol freático, lá permanecendo. O que vai acontecer com as áreas que receberam o banho de lama? O distrito da cidade de Mariana, Bento Rodrigues, provavelmente irá se acabar. Será uma área que morreu, assim como pode acontecer com a cidade. Porque, economicamente, é quase impossível remover toda a camada de lama que ficou e fazer os testes necessários para saber se será possível continuar vivendo ali. Você cavaria um poço para tomar água, independentemente da profundidade, sem examinar a qualidade dessa água? Se a população não for alertada sobre isso, é uma loucura. Aconteceu ali algo de proporções semelhantes a um acidente nuclear? Seria mais grave do que o acidente com césio 137, em Goiânia, em 1987? Por sua extensão e pela magnitude do impacto sobre a economia e os ecossistemas afetados, o acidente em Minas Gerais têm maiores proporções do que o ocorrido pela contaminação por Césio em Goiânia. O que precisa ser feito? Como eu disse, é urgente determinar quanto de metais pesados e outras substâncias tóxicas há no solo e se ele poderá ser propício à agricultura. Isso não diz respeito apenas à fertilidade. Vou dar um exemplo típico do que pode acontecer para mostrar a extensão do problema. A cidade de Boston, nos Estados Unidos, começou a estimular as hortas comunitárias. Como é uma cidade antiga e os seus encanamentos eram de chumbo, era de se imaginar que houvesse algum teor de chumbo no solo de Boston. Mas as hortas nos quintais das casas mais antigas começaram a ser feitas sem que essa informação merecesse maior preocupação. Como o solo estava contaminado de fato, os problemas começaram a aparecer na década de 2000. Um estudo revelou, por exemplo, que as raízes de algumas verduras e legumes chegavam até a profundidade em que havia acúmulo do metal, que não é eliminado pelo organismo. As pessoas pensavam estar comendo algo saudável, mas na verdade era comida contaminada por metais pesados. Nas áreas afetadas em Minas, pode acontecer o mesmo. O que pode acontecer com a qualidade da água na cidade? Se o encanamento for ruim ou diminuir a pressão no cano (como ocorre no racionamento) há uma pressão ao contrário, de fora para dentro. Com isso, dependendo de onde passa o cano, se tiver um vazamento do esgoto ao lado, ou se o solo estiver encharcado e com poluentes, a água se contamina ao longo do trajeto. E com a água de poços artesianos, mais profundos? É necessário examinar essa água e o solo. Um exemplo será mais eloquente do que eu para dar um panorama da situação: lembro-me do que ocorreu em Bangladesh, na Índia, quando as pessoas estavam morrendo de fome e sede por causa desertificação. Isso motivou a Unicef e o Banco Mundial de Saúde a furar milhares de poços para obter água nos anos 1960 e 1970. O que ninguém sabia é que o solo de Bangladesh continha muito arsênico. A consequência foi que logo surgiram milhões de casos de arsenismo, insuficiência renal e câncer de pele. Quero dizer que é absolutamente imprescindível conhecer o teor dos metais pesados do solo antes de tomar medidas como abrir poços ou plantar alimentos na região. É possível recuperar o solo dessa região? Para limpar essa camada de lama, você teria de retirar fisicamente o solo, o que é impossível. O que pode ser pensado é um projeto de bioremediação. Dependendo da profundidade em que esses resíduos estão, é escolhido um tipo específico de planta. Algumas espécies vegetais, como a mamona, conseguem retirar do solo os metais pesados, sugando-os. Evidentemente, essas plantas não podem ser comidas. Isso nunca foi feito sistematicamente aqui no Brasil, mas talvez seja uma chance. Como se calcula a compensação a ser feita em um desastre ambiental desse porte? Uma empresa do porte da Samarco é muito importante para a economia da região. Para onde irão os moradores dessas cidades? Trabalhar em que? Com quais recursos, se muitos perderam tudo? O que vai acontecer agora é que provavelmente o Ministério Público federal ou estadual irá contratar peritos e exigir um diagnóstico que a empresa deve pagar. A Samarco, que pertence ao Grupo Vale do Rio Doce e à anglo-australiana BHP Billiton, deverá gastar um bom dinheiro com o diagnóstico e as indenizações. A verdade é que faltam algumas peças importantes para fazer essa avaliação. Mas há técnicas de valoração bem estabelecidas para valorar essa contaminação do solo. Por exemplo, se a empresa não quiser examinar o solo e for pagar o valor real da perda, o cálculo pode ser feito pegando-se o preço do metro quadrado de 500 quilômetros lineares por três quilômetros de largura, que é o curso do rio de lama, e pagar o que isso custaria a cada proprietário. Mas muitos deles envelhecerão antes de ver a cor da indenização. O perigo dos metais pesados : A exposição prolongada aos metais pesados é perigosa porque eles são facilmente absorvidos pelos organismos vivos. Entre os mais usados pela indústria, estão o mercúrio, arsênio, cádmio, manganês e chumbo. De modo geral, seu acúmulo no organismo prejudica as funções neurológicas, o sistema imune e o funcionamento dos pulmões, rins e fígado. Estudos apontam danos específicos conforme o tipo de metal O mercúrio, por exemplo, atinge mais fortemente o cérebro, o coração, os rins e pulmões e o sistema imune. O excesso de cádmio está associado às disfunções renais, doença pulmonar obstrutiva, câncer de pulmão e comprometimento ósseo (osteomalacia e osteoporose). Chumbo atinge diretamente o funcionamento dos rins, o trato gastrointestinal, o sistema reprodutivo e faz lesões agudas ou crônicas do sistema nervoso, além de danos ao sangue. O excesso de manganês decorrente de exposições prolongadas pode causar rigidez muscular, tremores das mãos e fraqueza, problemas de memória, alucinações, doença de Parkinson, embolia pulmonar e bronquite. O arsênio está ligado ao aparecimento de lesões e câncer de pele, bexiga e pulmão e doenças vasculares. (Créditos: G1 / Revista 'Saúde brasileiros')